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Guerra no Irã

  • Data: 10/mar/2026

A tônica da segunda-feira (9) no cenário internacional foi a preocupação com o preço do petróleo e o impacto disto na economia global. O barril da matéria-prima dos principais combustíveis passou a maior parte do dia sendo negociado a mais de US$ 100. Nos mercados asiáticos, se aproximou de US$ 120, gerando temor de inflação em todo o mundo.

Duas notícias, porém, contiveram a escalada do preço: a afirmação de Donald Trump de que a guerra está "praticamente concluída" e a discussão no G7 sobre o uso de reservas estratégicas de petróleo.

Quanto a isto, os ministros das Finanças do grupo das maiores economias do mundo se reuniram e estabeleceram que estão "prontos" para usar as reservas e assim mitigar a alta dos preços, mas que "ainda não" o farão.

— O que acordamos é usar todas as ferramentas necessárias, se preciso, para estabilizar o mercado, incluindo a possível liberação das reservas — afirmou o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, acrescentando que o G7 seguirá monitorando a situação.

A reunião, por videoconferência, teve participação dos ministros de Estados Unidos, Japão, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha e Itália. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sugeriu suspender as sanções ao petróleo russo para "criar oferta".

Também nesta segunda, a Comissão Europeia advertiu sobre o risco de "forte choque inflacionário" caso o atual conflito no Oriente Médio se prolongue. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que está monitorando "os riscos" econômicos gerados pela guerra.

Escolta no Estreito de Ormuz
A pressão sobre o preço do petróleo tem relação, principalmente, com o fechamento, como consequência dos ataques na região, do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção de petróleo do mundo.

Nesta segunda, o presidente Emmanuel Macron afirmou que, "assim que a fase mais intensa do conflito terminar", a França vai liderar uma iniciativa, junto a outros países, para escoltar petroleiros e reabrir gradualmente o canal.

Guerra mais próxima da Europa
Desde a escolha de seu novo líder supremo, no domingo (8), o Irã intensificou ataques, visando aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. Mísseis e drones foram direcionados, segundo relatos dos respectivos governos, contra Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. No Bahrein, a maior refinaria de petróleo foi atingida. Em Israel, um míssil conseguiu superar a defesa antiaérea e matou um homem. O governo americano determinou que a embaixada na Arábia Saudita fosse evacuada.

Ataques também teriam sido direcionados a ao menos um país europeu. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) divulgou que seus sistemas de defesa interceptaram um míssil que teria a Turquia como alvo. O governo turco confirmou a informação e disse que fragmentos caíram na província de Gaziantep, mas sem ferir pessoas. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que o país fez os "alertas necessários" e pediu que o governo iraniano evite novas "medidas provocativas" que possam prejudicar a relação entre os dois países.

Os Estados Unidos suspenderam seus serviços consulares em parte do sul da Turquia e ordenaram que o pessoal diplomático não essencial deixe a região "devido aos riscos para sua segurança", anunciou nesta segunda-feira (9) o Departamento de Estado.

O Chipre, uma ilha no Mar Mediterrâneo, ao sul da Turquia, foi alvo de um drone na semana passada. O equipamento atingiu uma grande base aérea britânica. Nesta segunda, Macron prometeu defender o país.

— Quando Chipre é atacado, é a Europa que é atacada — disse o francês, ao anunciar o envio de oito navios de guerra, dois porta-helicópteros e o porta-aviões nuclear Charles de Gaulle para os arredores do Chipre.

O Irã acusou, nesta segunda-feira, países europeus, incluindo a França, de contribuírem para a criação de condições favoráveis aos ataques dos Estados Unidos e de Israel à República Islâmica.

— Em vez de insistirem no Estado de direito, em vez de se oporem à intimidação e aos excessos dos EUA, manifestaram-se e concordaram com eles perante o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas — afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai, em entrevista coletiva.

"Praticamente concluída"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que a guerra contra o Irã pode estar próxima do fim.

— Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles (Irã) não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea. Os mísseis estão dispersos. Os drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive as fábricas de drones. Se você olhar, não sobrou nada. Não restou nada do ponto de vista militar — afirmou o republicano, em entrevista ao canal estadunidense CBS News.

Também nesta segunda, Trump conversou, por telefone, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Segundo o Kremlin, os líderes discutiram, por cerca de uma hora, soluções para o encerramento das guerras no Irã e na Ucrânia.

Já no fim do dia, o presidente dos EUA concedeu à imprensa americana uma entrevista coletiva, na qual disse que avalia retirar algumas sanções relacionadas ao petróleo, para baixar o preço do produto no mercado internacional.

— Temos sanções a alguns países. Vamos retirar estas sanções até que isso se acerte — afirmou, de acordo com a CNN americana.

Ele não especificou quais sanções seriam removidas, nem de quais países. Entre as nações alvo das mais duras restrições norte-americanas está a Rússia, que é rica em petróleo.

China e Rússia comentam novo líder iraniano
O governo chinês afirmou nesta segunda que as autoridades "tomaram conhecimento" de que o Irã nomeou Mojtaba Khamenei como novo líder supremo e pediu a todas as partes que retornem às negociações para evitar uma escalada ainda maior do conflito.

— Esta é uma decisão tomada pelo lado iraniano em conformidade com a Constituição do país — disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun.

Ele acrescentou que "a China se opõe à interferência nos assuntos internos de outros países sob qualquer pretexto" e afirmou que a soberania e a integridade territorial do Irã "devem ser respeitadas".

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu, nesta segunda, seu apoio a Mojtaba Khamenei:

— Gostaria de reafirmar nosso apoio inabalável a Teerã e nossa solidariedade aos nossos amigos iranianos.

Fumaça em Teerã
O dia começou ainda sob escuridão em Teerã, capital iraniana. A luz do sol estava bloqueada por uma grande nuvem fumaça e fuligem, resultante do bombardeio de depósitos de petróleo na cidade. Autoridades locais emitiram alertas e pediram que a população evitasse exposição à poluição e utilizasse máscaras caso precisasse sair às ruas. A situação também gera risco de ocorrência de chuva ácida.

Fonte: GauchaZH
Foto: AFP / AFP

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