Câncer de intestino: por que a doença da atriz Lua Blanco tem se tornado mais comum entre jovens?
A morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, no domingo (18), em decorrência de um câncer de intestino, chama a atenção para uma doença que também atinge pessoas jovens.
Segundo Daniel Azambuja, médico e chefe da coloproctologia do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, embora seja mais frequente em faixas etárias mais avançadas, o câncer colorretal tem sido observado com maior frequência em pacientes na casa dos 30 e 40 anos.
— Hoje essa prevenção já caiu para os 45 anos de idade, acompanhando essa tendência de queda na faixa etária — afirma Azambuja.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de intestino é o terceiro tipo mais incidente no Brasil. A doença atinge o intestino grosso, chamado cólon, e o reto. Porém, a ciência ainda investiga o que está por trás dessa mudança.
— Não tem ainda a comprovação científica do que está causando essa queda da faixa etária, mas tem fatores comportamentais, questão genética, aumento da alimentação de ultraprocessados, embutidos e pouca ingestão de fibra. Já estão sendo estudados também fatores relacionados com o uso de alguns agrotóxicos nas verduras como uma possibilidade de fazer com que essa incidência seja maior em jovens — diz Azambuja.
Sintomas que merecem atenção
- Sangue e mudanças no formato das fezes
- Alterações persistentes no funcionamento do intestino
- Dor abdominal
- Perda de peso sem causa aparente
Segundo Azambuja, esses sintomas podem ser confundidos com problemas comuns, como hemorroidas, ou atribuídos à alimentação. Além disso, os mais jovens enfrentam dificuldade de associá-los a uma doença grave, o que contribui para atrasar a investigação.
— Por exemplo, um paciente que tem dificuldade de evacuar, que tem uma constipação crônica, sempre foi assim. Mas daqui a pouco começou a ir mais frequentemente ao banheiro. Isso é uma mudança de hábito, isso tem que ser estudado — reforça Azambuja.
A colonoscopia permite examinar o interior do intestino e identificar pólipos, lesões que podem evoluir para câncer.
Segundo o especialista, o rastreamento é recomendado a partir dos 45 anos, enquanto pessoas com histórico familiar ou sintomas podem precisar de investigação mais cedo, conforme avaliação médica.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), há também o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que é oferecido a pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas, a cada dois anos.
A coleta é feita em casa, com uma amostra de fezes. Na rede particular, não há restrição de idade definida, mas a indicação deve ser avaliada por um médico.
A prevenção envolve hábitos saudáveis, como praticar atividade física, manter o peso adequado e priorizar alimentos in natura e minimamente processados, incluindo frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais.
Fonte: GZH
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