Congelamento de óvulos cresce em Caxias do Sul e acompanha avanço da técnica no país
No roteiro de algumas histórias clássicas, a vida feminina se desenha no romance com um príncipe encantado, no casamento, filhos e um final em que todos os personagens são felizes para sempre. Distante dos livros, as mulheres modernas têm mais possibilidades de escolha, o que inclui o momento ideal para a maternidade. É neste cenário que a busca por congelamento de óvulos mais que dobrou no país em cinco anos.
Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões indicam que o número de ciclos de coleta de óvulos para criopreservação passou de 7.872 em 2020 para 18.631 em 2025, o que representa um crescimento de 136,7%. O Rio Grande do Sul acompanhou o aumento. Em 2020, foram realizados 398 ciclos da técnica. Cinco anos depois, o número avançou para 944.
Em Caxias do Sul, embora não haja dados específicos, o interesse também cresceu, especialmente à medida em que as pacientes têm mais acesso às informações pela mídia e nos próprios consultórios. Na clínica Effetto Medicina Reprodutiva, a estimativa é de que os ciclos triplicaram nos últimos cinco anos:
— Hoje, nós queremos escolher o melhor parceiro, construir a nossa casa, fazer o doutorado, o pós-doutorado. Queremos curtir um pouco a vida e a maternidade vai sendo empurrada para frente. Então, no momento em que realizamos o congelamento de óvulos, preservamos o nosso tempo, preservamos a nossa fertilidade — sinaliza a médica Francieli Vigo, especialista em reprodução humana.
Mas por que congelar óvulos? Porque, segundo a médica, o corpo feminino tem uma janela de fertilidade, cujo auge ocorre ao longo da segunda década de vida. A partir dos 35 anos, as células reprodutivas femininas perdem em qualidade e em quantidade, o que pode ser um complicador para quem deseja ser mãe tardiamente.
— Nós nascemos com a nossa reserva de óvulos pronta. É diferente dos homens que, a cada 90 dias, fazem uma leva nova de espermatozoide. Vamos relativamente bem até os 35 anos, depois as chances de não engravidarmos ou termos um abortamento acabam aumentando bastante. O congelamento é, então, uma ferramenta segura e que traz uma chance muito boa de gravidez no futuro — explica Francieli.
O congelamento interrompe o envelhecimento do óvulo. Na prática, significa que se uma mulher fizer o procedimento aos 32 anos, a qualidade desta idade se manterá no gameta caso ela opte por engravidar aos 45 anos, por exemplo.
Perfis
No consultório da médica ginecologista Fernanda Castilhos Bosi, o interesse pelo procedimento também cresceu nos últimos anos. A demanda parte especialmente de pacientes entre 30 e 33 anos, saudáveis e que não têm uma ideia imediata de engravidar, diante do planejamento de carreira ou ausência de um relacionamento estável.
— Nem sempre que a mulher congela os óvulos vai precisar utilizá-los no futuro. Eu brinco com as pacientes que é como se fosse um seguro de carro. A ideia é não precisar usar, mas se bater o carro, vai estar disponível e é uma opção muito boa — compara a médica.
Para além da idade, Fernanda lembra que o congelamento pode ser indicado em algumas condições de saúde:
— Pacientes que vão ser submetidas a algum quimioterápico gonadotoxico (que podem ser tóxicos aos ovários femininos e, consequentemente, à fertilidade). Também há casos de pacientes que têm endometriose em algum grau mais volumoso, que precisem de procedimentos que podem diminuir a reserva ovariana — exemplifica.
Uma dúvida frequente que aparece em consultório é se o procedimento é capaz de diminuir a reserva ovariana. A profissional atesta que não:
— Muitos pacientes perguntam se o congelamento pode prejudicar a fertilidade delas. A resposta para essa pergunta é não. O congelamento de óvulos estimula folículos que já iriam ser degenerados naquele ciclo menstrual. Geramos um estímulo hormonal maior para conseguir capturar mais óvulos, mais folículos — detalha Fernanda.
Saiba mais
O procedimento é indicado, preferencialmente, para mulheres até 35 anos. Contudo, não há impedimento para ocorrer em idades mais avançadas.
Após coletados do corpo feminino, os óvulos ficam armazenados em um botijão de nitrogênio líquido a –196°C. O material não tem um prazo de validade e cabe à mulher a decisão de usar em si, doar ou descartá-lo.
O custo depende da quantidade de medicamentos indutores de ovulação, mas fica, em média, R$ 15 mil. Depois, é preciso pagar mensalidades ou semestralidades para a manutenção do congelamento.
Se houver a decisão pela gestação, é preciso, posteriormente, investir em outro tratamento: a fertilização in vitro (FIV). Por meio dela, ocorre a fecundação dos óvulos descongelados com o sêmen do parceiro ou doador.
Fonte: GZH
Outras notícias
-
Sem comida e sujos de fezes: como foram encontrados os idosos de casa geriátrica clandestina
Quando as equipes da Polícia Civil entraram em uma casa geriátrica clandestina de Sapucaia do Sul, por volta das 10h de segunda-feira (28), não havia nenhum cuidador no imóvel. Os cinco idosos que viviam ali não tinham re ...
Saiba Mais -
Ministério do Esporte adia reunião com CBF, clubes e federações sobre bets
O Ministério do Esporte comunicou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o adiamento da reunião com os clubes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e com as federações estaduais. O ...
Saiba Mais
