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Carbono neutro, pecuária verde e manejo: como a sustentabilidade se apresenta na Expointer

  • Data: 31/ago/2026

Prestes a completar 50 edições, a Expointer chega a 2026 traçando um marco. Pela primeira vez, a feira referência para o agronegócio na América Latina é carbono neutro. Um selo que diz não só sobre sustentabilidade no campo, mas a respeito de como a agropecuária tem sido feita pelos gaúchos.

Por carbono neutro, entende-se que as emissões de gases de efeito estufa liberadas durante o evento no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, serão compensadas. Ou seja: que o impacto ambiental será neutralizado por meio de créditos de carbono certificados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A neutralização será feita pela CRVR, empresa selecionada em edital lançado pelo governo do Estado para a tarefa. A companhia, que recentemente inaugurou uma usina de biometano em São Leopoldo, no Vale do Sinos, é responsável por disponibilizar os créditos. Ao final da Expointer, os gases que foram emitidos serão abatidos de um "saldo ambiental" acumulado por outros projetos verdes, compensando as emissões do evento.

O cálculo é baseado em um inventário das principais atividades que geram gases. Esta conta considera todo o período da feira, da montagem à desmontagem, incluindo o consumo de energia elétrica e água, a geração de resíduos e o transporte dos animais.

Pioneirismo gaúcho
Ex-secretário da Agricultura e presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes diz que a iniciativa inédita em um evento com a importância e o porte da Expointer mostra o pioneirismo do Rio Grande do Sul e atesta o compromisso do agronegócio gaúcho com a sustentabilidade. Antes da empreitada em Esteio, a Fenasoja, em Santa Rosa, já havia feito a compensação das suas emissões este ano, também de forma inédita, em parceria com a CRVR.

— É a cereja do bolo de um trabalho que iniciamos em 2022 para tratar agricultura e meio ambiente de forma complementar, e não competitiva. Desde lá buscou-se um alinhamento e uma maior participação do setor produtivo para discutir o tema, inclusive com presença do setor na COP (Conferência do Clima). Isso consolida a agricultura de baixo carbono, que é um modelo gaúcho exportado para o mundo — diz Lopes.

Como quem dá o exemplo, diz Lopes, todos os eventos da Farsul realizados durante a feira também terão compensação de carbono.

— É muito mais do que um selo. É uma atitude efetiva de medição das emissões, feita com a compensação por alguém que tem o crédito certificado pela ONU. Toda cadeia produtiva já entendeu que a compensação é positiva — completa o presidente.

Mais do que neutralizar emissões, a feira quer que o tema esteja "na cabeça" de quem visita a Expointer. Totens e QR codes interativos espalhados pelo parque permitem, de forma educativa, que o visitante calcule a sua pegada de carbono. O participante preenche dados simples como o meio de transporte utilizado para chegar à feira, e o sistema calcula a quantidade de gases de efeito estufa emitidas no deslocamento.

Sustentabilidade na prática
Outros exemplos de sustentabilidade dão o tom verde da agropecuária gaúcha na feira, entre eles a chamada integração lavoura-pecuária. Neste sistema, planta-se em uma parte da área, enquanto outra fica destinada à criação de animais.

Segundo especialistas, o modelo confere sustentabilidade econômica e ambiental simultaneamente: enquanto diversifica a atividade da propriedade, equilibra as emissões da pecuária com a captura de gases feita pelas plantas.

Adepta do modelo, a Cabanha Soldera, de Panambi, é uma das referências quando o assunto é manejo sustentável no Rio Grande do Sul. O sistema aplicado na propriedade integra o cultivo de soja com a criação de angus e brangus.

Mostrando na Expointer o que de melhor sai da propriedade em termos de pecuária e produção genética, Luiza e Leonardo Soldera, irmãos da terceira geração à frente dos negócios, garantem que a produtividade é maior onde há integração.

— Com a integração, conseguimos reduzir o uso de agroquímicos e produzir com uma biologia do solo muito mais ativa. Na pecuária, isso resulta em uma carne mais bem acabada, criada a pasto, enquanto na agricultura se amplia a vida da terra, com maior qualidade do solo — diz Luiza.

A propriedade fez uma parceria de campo experimental com a cooperativa Cotripal, onde uma espécie de “buffet livre” é o ofertado para que o gado tenha uma variedade de plantas disponíveis para a sua nutrição.

— Largamos o animal para ver o que ele vai querer comer primeiro. É um trabalho conjunto que vai nos indicar o que vale a pena investir no manejo — diz Luiza.

Das grandes máquinas agrícolas movidas a combustíveis verdes, como etanol e biometano, às pequenas iniciativas de agricultura urbana, como hortas e plantios caseiros, as soluções voltadas à sustentabilidade estão a cada ano mais presentes nas feiras de agronegócios. Para o presidente da Farsul, as ações, além de exibirem o pioneirismo brasileiro em muitas frentes sustentáveis, têm também o papel de reforçar o compromisso do setor diante das questões do clima.

Fonte: GZH

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