Caminhoneiro de Marau completa 32 dias parado na Argentina por conta da neve
O motorista Eduardo Ferlin, 50 anos, de Marau, no norte do estado, está retido há 32 dias em um posto de combustível na cidade de Uspallata, na Argentina. O bloqueio é provocado por uma nevasca registrada na região dos Andes, que acumula até seis metros de neve.
— Tem muita neve presa nas montanhas. E as forças de segurança têm medo que, com o movimento dos caminhões, essa neve venha a se desprender e ocasione acidentes — relata Ferlin.
Para não perder a carga de carne suína que transporta de Lajeado para Santiago, o caminhoneiro precisa manter o motor da câmara fria funcionando continuamente a ‑25 °C. Ele trabalha em uma cooperativa de Marau.
De acordo com o motorista, a situação é compartilhada por cerca de outros 500 caminhoneiros do Brasil, Chile, Peru, Bolívia, Uruguai e Paraguai, que estão concentrados no mesmo local, ao lado da aduana do país argentino.
Emocionado, Ferlin conta que perdeu a formatura da filha e o aniversário do neto:
— Eu queria mandar um abraço para a minha filha, Emília, que se formou metade desse mês e eu não pude estar na formatura dela. E um beijão para o meu netinho que fez três meses hoje, o Otto.
Rotina dos motoristas
A rotina dos motoristas inclui o apoio do Exército argentino e de entidades locais, que fornecem água potável e uma refeição por dia.
Os trabalhadores também utilizam a estrutura do posto de combustíveis, onde pagam cerca de 4 mil pesos argentinos por banho, cerca de R$ 14, e enfrentam temperaturas de ‑2 °C.
Existe a previsão dos bombeiros de tentar liberar o tráfego em direção ao Chile entre terça (18) e quinta-feira (20). No entanto, os motoristas correm contra o tempo para concluir a viagem antes da chegada de outra nevasca, prevista para o fim de agosto, o que pode bloquear a rodovia novamente por mais de dez dias.
Fonte: GZH
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