Pessoas com deficiência visual participam de oficina de ilustração em festival de Caxias do Sul
Alunos e frequentadores do Instituto da Audiovisão (Inav) participaram de uma oficina sobre ilustração no Festival Internacional do Leitor Quindim, em Caxias do Sul, na manhã desta sexta-feira (14). A atividade foi conduzida pelas ilustradoras Raquel Matsushita, de São Paulo, e Paloma Valdivia, de Santiago, no Chile, e as autoras gaúchas Marcia e Bete Tiburi.
No palco, as artistas, reconhecidas por atuarem com o público infantojuvenil, deram início à oficina com um bate-papo. O quarteto abriu um pouco sobre a rotina para criação de uma obra literária, que entrelaça palavras e imagens, e comentou os desafios do ofício.
Em duas mesas retangulares rodeadas de cadeiras amarela, as pessoas com deficiência visual tiveram espaço para imaginar e pôr a arte em prática.
Utilizando folhas, pincéis, tinta guache, canetinhas e giz de cera, elas foram orientadas a elaborar uma ilustração coletiva. Volnei Canônica, presidente do Instituto de Leitura Quindim, explicou os enredos dos livros Bruno habla con los animales (Paloma Valdivia, 2026), O Voo do Ovo (Raquel Matsushita, 2024) e Marina e o Monstro (Marcia e Bete Tiburi, 2023) e pediu que a turma do Inav criasse imagens a partir de uma união dessas histórias.
As mesas também tinham materiais de diferentes texturas, como retalhos de esponjas, plástico bolha, tampinhas de plástico e barbante para aproveitar durante a atividade.
— Trabalhamos aqui com a metáfora da imagem tátil, com objetos que as pessoas podem manusear, enxergar com as mãos. Esse tipo de travessia, de deslocamento da ideia tradicional de visão é o que esteve em jogo aqui, e nos divertimos muito criando interações positivas uns para os outros. A gente se comunica afetivamente através da imaginação — reflete Marcia Tiburi, que também é ilustradora.
O festival, realizado pelo Instituto de Leitura Quindim, está em sua terceira edição e tem programação em andamento até o dia 23. A agenda completa pode ser conferida neste link.
— A programação de um festival precisa ser para todos. O resultado que a gente viu aqui é que todo mundo pode criar, porque o ser humano é criativo, investigativo, democrático. Que possamos sempre estimular isso tudo — afirma Canônica.
Fonte: Pioneiro
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