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Santa Vitória do Palmar decreta situação de emergência após cinco dias sem energia elétrica

  • Data: 11/ago/2026

Santa Vitória do Palmar decretou situação de emergência nível II nesta terça-feira (11), após os impactos causados pelo vendaval que atingiu o extremo sul do Estado na última quinta-feira (6). A medida foi oficializada pelo Decreto nº 169, assinado pelo prefeito André Selayaran Nicoletti, após mais de cinco dias de interrupção no fornecimento de energia elétrica que afetou toda a população do município e também o Chuí.

De acordo com o decreto municipal, o temporal registrado na noite de 6 de agosto provocou rajadas de vento próximas de 90 km/h e resultou na queda de 24 torres de energia da empresa Axis sobre a rede de transmissão da CEEE Equatorial. O incidente interrompeu totalmente o fornecimento de energia por mais de 110 horas e comprometeu o abastecimento de água por cerca de 24 horas. A prefeitura estima que os efeitos do desastre atingiram os 30.983 habitantes do município.

Em entrevista ao programa Gaúcha Mais nesta terça-feira (11), o prefeito André Selayaran afirmou que aproximadamente 40 mil pessoas entre Santa Vitória do Palmar e Chuí foram afetadas pela falta de energia.

— No primeiro dia, na sexta-feira, na verdade, nós ficamos também sem abastecimento de água, mas rapidamente a Equatorial, a Corsan, encaminhou para os municípios geradores e restabeleceu todo o sistema — relatou.

Segundo o prefeito, o município contou com apoio do Governo do Estado, da Defesa Civil e das concessionárias para manter serviços essenciais em funcionamento. Geradores foram instalados para garantir o abastecimento das agrovilas do interior, onde vivem cerca de três mil moradores.

Reconstrução depende de duas torres
A retomada do fornecimento de energia depende da reconstrução de duas torres de transmissão da Equatorial que foram danificadas durante o temporal. Selayaran explicou que a operação envolve uma complexa logística em uma área alagada.

— Não é um processo muito simples, exige barco, exige jet ski e também helicóptero de carga — afirmou.

De acordo com o prefeito, quase 100 trabalhadores atuam na operação, muitos deles precisando entrar na lagoa para realizar a manutenção da estrutura.

— Há uma expectativa muito grande aqui da população, também da Axia, da Equatorial, de que ainda hoje seja restabelecida essa energia — disse.

Apesar da urgência para religar o sistema, as torres que desabaram deverão levar de um a dois meses para serem reconstruídas definitivamente. Segundo Selayaran, esse processo não deverá comprometer o abastecimento de energia após a normalização do serviço, pois a falha ocorreu na linha de transmissão, conhecida popularmente como "linhão".

Impactos econômicos
Além dos transtornos à população, a interrupção prolongada da energia gerou prejuízos ao comércio, à produção rural e ao setor pesqueiro.

O município também recebeu da Emater relatos de aumento dos custos na atividade leiteira, devido ao uso de geradores para manter a refrigeração do leite. Já pescadores registraram perdas expressivas de produção em razão da falta de energia.

Diante dos danos econômicos, a prefeitura pretende encaminhar o decreto ao governo estadual e à União para buscar recursos emergenciais.

— Nós fizemos um decreto de emergência de nível 2, que vai ser submetido ao governo do estado e depois à União, para que o município possa acessar recursos em razão disso tudo — justificou.

Serviços essenciais mantidos
Mesmo com a interrupção prolongada da energia, a prefeitura afirma ter conseguido preservar o funcionamento dos serviços essenciais. A Santa Casa recebeu reforço na geração de energia, unidades de saúde tiveram equipamentos protegidos e alimentos da merenda escolar foram concentrados em estruturas com refrigeração.

— Nós temos cerca de 30 menores abrigados sob a tutela do município que ficaram com toda a energia possível para tomar banho, para assistir televisão e tudo mais — disse o prefeito.

Outro problema enfrentado pela população foi a dificuldade de comunicação. Segundo Selayaran, a rede da operadora Vivo apresentou instabilidade ao longo dos dias sem energia.

— O grande problema que nós tivemos também aqui foi a questão da comunicação por causa que a Vivo, onde a maioria das pessoas tem acesso aqui no município. Ela ficou sem sinal e ainda está com sinal um pouco complicado, então a comunicação por via da 4G (...) Tem várias pessoas carregando seus celulares e fazendo uso da internet através do Wi-Fi, assim assim como o município disponibilizou também o local para carregamento — relatou.

Alerta para novos investimentos
O prefeito destacou que esta não é a primeira vez que a região sofre com problemas no sistema elétrico, mas classificou o episódio atual como o mais grave já registrado.

— É a terceira ou quarta vez que a gente tem essa queda, mas nunca tivemos cinco dias assim sem energia elétrica aqui no município. O que nos acende um alerta para que a gente possa ter um backup — argumentou.

Entre as alternativas em discussão estão a criação de um sistema de armazenamento de energia por baterias e a busca por soluções junto ao Ministério de Minas e Energia para ampliar a segurança energética do município.

Enquanto aguarda o restabelecimento completo da rede, a administração municipal também intensificou a fiscalização de preços de produtos considerados essenciais durante a crise, como gelo, água e velas.

— O que nos conforta é saber disso que se toda essa tempestade, todo esse ciclone, tivesse passado aqui na cidade, a gente hoje teria uma realidade muito mais dolorida do que a falta de energia — concluiu o prefeito.

Fonte: GZH

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