Mel de soja? Produto é resultado de parceria improvável na Fronteira Oeste
Entre as inúmeras floradas das quais as abelhas podem extrair néctar para produzir mel, a da soja talvez seja uma das menos prováveis. Ainda assim, foi justamente dela que nasceu um produto que começa a ganhar espaço no mercado. O chamado mel de soja é resultado de um projeto desenvolvido na Fronteira Oeste que aproximou produtores rurais, apicultores, a Basf e a Embrapa.
A iniciativa mostrou que a convivência entre lavouras e colmeias pode beneficiar ambos. De um lado, houve aumento da produtividade da soja graças à polinização. De outro, as abelhas encontraram uma nova fonte de alimento em um período que precisariam ser alimentadas artificialmente, elevando os custos da atividade.
— É um mel de coloração clara, sabor agradável, que não desce raspando a garganta e tem baixa tendência à cristalização. É um produto que tem sido muito bem recebido tanto pelos consumidores quanto pela indústria — resume Décio Luiz Gazzoni, ex-pesquisador e atual bolsista de pesquisa da Embrapa.
Responsável pelo projeto na Basf, Maurício do Carmo Fernandes diz que a experiência ajudou a derrubar um paradigma.
— Desmistificou a ideia de que a agricultura não pode conviver com a criação de abelhas.
A parceria começou a ser estruturada em 2022, quando Basf e Embrapa elaboraram um manual de boas práticas para orientar a convivência entre as duas atividades. Três anos depois, com recursos de um fundo global da Alemanha, o projeto saiu do papel e reuniu 16 produtores de soja e 24 apicultores em municípios como São Gabriel, Santa Margarida do Sul e Vila Nova do Sul. Em cada hectare foram instaladas de duas a três colmeias.
— Tivemos apiários que produziram mais de 50 quilos de mel apenas com a florada da soja. A média nacional é de cerca de 20 quilos por colmeia ao ano — compara o apicultor à frente do projeto, Aldo Machado.
Fonte: GZH
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