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Emissão de CNH no RS cresce 44,3% no primeiro semestre puxada por novas regras

  • Data: 07/ago/2026

A emissão de Carteira Nacional de Habilitação no Rio Grande do Sul cresceu 44,3% no primeiro semestre deste ano, na comparação ao mesmo período de 2025. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS). Entre janeiro e junho, 102.215 novos condutores foram habilitados no Estado, frente aos 70.839 registrados no mesmo intervalo do ano passado.

O impacto das novas regras
O salto na procura coincide com a entrada em vigor, em janeiro, das novas regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), aprovadas em dezembro. O objetivo foi baratear a emissão do documento.

Entre as principais mudanças estão:

  • Fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas.
  • Fornecimento gratuito de conteúdo teórico.
  • Redução da carga horária mínima de aulas práticas, que caiu de 20 horas para apenas duas horas.


O Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Rio Grande do Sul (SindiCFC) confirma o impacto das novas regras em uma maior procura pela emissão de novas habilitações. Porém, atribui o fenômeno também a um represamento da demanda no final do ano passado.

— Precisamos lembrar que em dezembro, novembro e outubro de 2025, praticamente ninguém fez carteira de habilitação no Brasil, aguardando as novas regras para a formação de condutores. Temos que levar em conta todas essas circunstâncias. Devido ao início da consulta pública que tratava sobre o novo processo de formação de condutores, pessoas aguardaram para ver o que aconteceria — afirma Vilnei Pinheiro Sessim, presidente do SindiCFC.

Entre as categorias de CNHs, os dados do Detran apontam que o período entre janeiro e junho de 2026 teve a liderança da carteira AB (moto e carro) com o maior crescimento proporcional nas emissões. Passou de 8.362 para 13.297 novas habilitações, representando um aumento de 59%. A categoria B (carro) teve o maior crescimento nominal, passando de 55.446 para 82.046 novas habilitações em seis meses, um aumento de 26,6 mil novas emissões (49,9%). A categoria A (moto) foi a única a registrar uma leve queda, passando de 7.031 para 6.872 novas habilitações, uma redução de 2,26%.

A aplicação das novas regras começou de forma híbrida no Rio Grande do Sul. Em razão da ausência de um período de transição para adaptação, o Detran estadual mesclou as novas exigências com procedimentos antigos. Foi apenas em março que o novo modelo passou a ser integralmente aplicado. Isso se refletiu na busca por novas habilitações no transcorrer do ano.

Recorde histórico
Conforme dados do Detran, o mês de julho de 2026 registrou a maior emissão de CNHs de toda a série histórica, iniciada em agosto de 1997. Foram 23.067 novas habilitações. No período do primeiro semestre do ano, maio aparece com o segundo maior volume de novas carteiras de habilitação de todo a série histórica: 21.481 novas CNHs. O ranking inclui também março (20.734) e abril (20.249) de 2026. Somente em quinto lugar aparece um mês diferente de 2026. Foi agosto de 2012 (18.231 novas CNHs).

Instrutores autônomos
Outra regra instituída pelo Contran foi a da figura do instrutora autônomo. Conforme dados do Detran-RS, o estado possui atualmente 500 profissionais credenciados.

O que diz o Detran
Procurado para uma avaliação dos números, o Detran gaúcho respondeu por meio de uma nota. O departamento diz que é "adequado apontar as novas regras para emissão da CNH como um fator relevante e plausível", mas salienta que "não é recomendável atribuir o aumento exclusivamente às novas regras". (Leia a íntegra da resposta abaixo).

O que diz o Detran-RS
É tecnicamente adequado apontar as novas regras para emissão da CNH como um fator relevante e plausível para o aumento de 44,3% no número de novos condutores no RS no 1º semestre de 2026, especialmente porque o crescimento se concentra a partir de março, após finalizada a implementação escalonada das mudanças no Estado trazidas pela Resolução CONTRAN 1.020. A redução da carga horária e a digitalização do processo reduzem burocracia e tempo. A menor carga horária prática obrigatória, tende a ter estimulado a procura e a conclusão dos processos.

No entanto, não é recomendável atribuir o aumento exclusivamente às novas regras. Outros fatores podem ter contribuído, como demanda reprimida, efeito de divulgação, uso do aplicativo CNH do Brasil (adaptação dos sistemas), regularização de pessoas que já conduziam sem habilitação, necessidade de CNH para trabalho e renda, além do próprio intervalo entre abertura do processo e emissão do documento.

Assim, a formulação mais segura é dizer que as novas regras aparecem como um dos principais fatores associados ao crescimento observado, e não necessariamente como causa única.


Fonte: GZH

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