Após proibição, escolas ampliam debate sobre o uso de celulares
Publicada nesta terça-feira (4), a pesquisa TIC Educação 2025 aponta que temas ligados ao uso de dispositivos eletrônicos, inteligência artificial (IA) e ao impacto das novas tecnologias na saúde mental ganharam espaço nas escolas brasileiras.
A expansão do debate ocorre após a proibição da utilização de celulares nas escolas e em meio à implementação de nova legislação que prevê mecanismos como a verificação de idade e ferramentas de supervisão dos pais em redes e aplicativos.
A pesquisa mostra que cresceu o número de escolas que passaram a promover reuniões sobre o uso de tecnologias digitais. Em 2025, 86% dos gestores de escolas com acesso à internet disseram ter realizado encontros com professores e outros profissionais para discutir o tema, ante 68% no levantamento anterior.
Entre as reuniões com pais, mães e responsáveis, o percentual passou de 60% para 75%. Entre os assuntos abordados, as regras para o uso de celulares aparecem em primeiro lugar. Elas foram tema de discussão em 83% das escolas, ante 70% em 2024.
Na sequência vêm os impactos das tecnologias na saúde mental dos alunos, debatidos em 80% das instituições, frente a 62% em 2024, além de outros assuntos.
Em coletiva de apresentação dos resultados, Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), entidade responsável pela pesquisa, salientou que 2025 foi um ano no qual o Brasil avançou em discussões ligadas ao uso de tecnologias nas escolas, a partir de mudanças legislativas.
— A restrição do uso de dispositivos eletrônicos pessoais e os debates que culminaram na aprovação do ECA Digital contribuíram, certamente, para mobilizar escolas, famílias, educadores e políticas públicas nesse assunto — pontuou Barbosa.
Inteligência artificial
Outro tema que ganhou espaço foi a IA. Em 2025, 60% das escolas discutiram regras para o uso das ferramentas por alunos e professores, um avanço de 20 pontos percentuais em relação aos 40% registrados no levantamento anterior.
A pesquisa também investigou como a IA já faz parte da rotina da gestão escolar. Pouco mais da metade dos gestores brasileiros (53%) afirmou utilizar IA generativa em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras, como elaboração de documentos, organização de cronogramas e produção de relatórios.
Na região Sul, o índice chega a 66%, o maior do país. Nas demais regiões, os percentuais variam entre 39%, no Norte, e 59%, no Centro-Oeste.
Conforme Barbosa, esta foi a primeira vez que a TIC investigou o uso de IA generativa por gestores escolares. Na edição do ano passado, a pesquisa já havia destacado a adoção significativa do recurso por parte de estudantes.
— É relevante a velocidade da adoção da IA generativa, assim como o descompasso entre a adoção dessa tecnologia e a criação de diretrizes para esse uso — observou o gerente.
Apesar do avanço das discussões, a incorporação da educação digital ainda está longe de ser universal. A pesquisa mostra que 65% das escolas realizam projetos voltados à educação digital, midiática e para a cidadania digital, proporção que sobe para 72% nas áreas urbanas e cai para 52% nas rurais.
Entre as redes estaduais, o índice alcança 77%, acima do registrado nas particulares (66%) e municipais (60%).
Os gestores também apontaram os principais obstáculos para desenvolver essas iniciativas. O desafio mais citado foi a baixa participação das famílias, mencionada por 75% das escolas que realizam projetos na área.
Em seguida aparecem a falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%), problemas relacionados à qualidade dos computadores e da conexão à internet (58%), falta de tempo no currículo (55%) e insuficiência de habilidades dos professores (53%).
Para Barbosa, a escola tem uma posição estratégica na criação de espaço seguro e saudável no ambiente digital, o que é mostrado pelo avanço das discussões sobre saúde mental e tecnologia. O porta-voz destaca, ainda, que não haverá educação digital equitativa sem infraestrutura adequada, sem recursos pedagógicos, sem formação dos profissionais e sem uma maior articulação entre escolas e famílias. Por fim, Barbosa defende que a IA precisa ser incorporada com intencionalidade pedagógica.
— O uso da IA já é uma realidade, mas as orientações institucionais ainda são insuficientes, e a resposta não cabe apenas às escolas e famílias. Ela exige políticas coordenadas, participação multissetorial e responsabilidades proporcionais de todos os atores do ecossistema digital — afirmou.
TIC Educação
Realizada desde 2010 a partir de entrevistas em escolas públicas e particulares, a pesquisa TIC Educação ocorre anualmente, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Em 2025, envolveu a entrevista com 2.404 gestores escolares.
O objetivo é investigar o acesso, o uso e a apropriação de tecnologias digitais em escolas públicas e particulares brasileiras que ofereçam Ensino Fundamental e Médio.
Fonte: GZH
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