Bronquiolite: entenda a doença que dificulta a respiração em bebês e lota emergências
Entre os principais males que lotam emergências pediátricas do Estado ao longo do inverno está um vírus que pode ser silencioso em adultos, mas relativamente comum e que pode causar uma doença grave em pequenos: a bronquiolite.
A infecção respiratória é responsável por boa parte das internações de crianças menores de dois anos durante os meses de outono e inverno, quando os vírus respiratórios circulam com maior intensidade. Por isso, GZH apresenta, abaixo, um guia com as principais informações acerca da doença.
O que é a bronquiolite?
A bronquiolite é uma inflamação aguda dos bronquíolos, as partes terminais e mais delicadas dos brônquios, tubos que ligam a traqueia aos pulmões e são fundamentais para a respiração.
A doença é causada por uma infecção por vírus. O principal vilão é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), mas outros agentes também podem desencadear a inflamação — como o rinovírus, o adenovírus e o vírus da influenza.
Embora o patógeno possa circular silenciosamente entre pessoas de qualquer idade, a bronquiolite manifesta-se somente em crianças com menos de dois anos, como explica Luíza Ruschel Pitrez, médica pediatra cooperada da Unimed.
— O mecanismo de inflamação pode ser o mesmo, mas a resposta imunológica é diferente a partir dessa idade. Por isso não chamamos de bronquiolite. Uma criança maior ou um adulto infectado pelo VSR pode ter apenas um resfriado comum, enquanto nos bebês o quadro é grave devido à anatomia e ao sistema imunológico em formação.
A pediatra compara os bronquíolos das crianças menores de dois anos a mangueiras extremamente finas, que entopem facilmente com o inchaço e o acúmulo de secreção causados pela infecção viral — algo que não ocorre com a mesma facilidade nos adultos, que possuem vias respiratórias maiores.
Com os bronquíolos obstruídos, a passagem de ar fica comprometida e o bebê não consegue respirar direito. É por isso que a doença pode levar os pequenos à internação.
— Os leitos estão lotados, principalmente com bebês menores de seis meses, que são os casos mais graves. Casos leves são tratados em casa, mas, quando a doença se agrava, é preciso hospitalizar e repor oxigênio — diz a médica.
Como ocorre o contágio?
A bronquiolite surge a partir da infecção pelo VSR e outros vírus. A transmissão dos patógenos ocorre por meio do contato direto com gotículas de saliva e muco nasal de pessoas infectadas ou pelo contato com superfícies contaminadas por essas secreções.
O pneumologista Gilberto Fischer, chefe do Serviço de Pneumologia Pediátrica da Santa Casa de Porto Alegre, alerta que o agente infeccioso muitas vezes chega às crianças por meio dos adultos.
A pediatra Luíza Ruschel Pitrez lembra, ainda, que a convivência da criança em creches e escolinhas também é um ponto de atenção no que diz respeito à transmissão dos vírus que causam a bronquiolite.
Quais são os sintomas?
A doença costuma começar como um resfriado, causando sintomas ligados às vias aéreas superiores, como coriza e tosse leve. No entanto, no decorrer dos dias, o quadro pode evoluir para as vias aéreas inferiores, afetando os pulmões e comprometendo a respiração.
Conforme a pediatra cooperada da Unimed, sempre que há indício de esforço respiratório, significa que a bronquiolite se agravou. A médica orienta que os pais observem se a criança está:
- Respirando rápido demais
- Chiando o peito durante a respiração
- Fazendo força para conseguir respirar
Casos mais severos também podem causar cianose — os lábios ou as extremidades do corpo ficam arroxeadas devido à baixa oxigenação — e apneia — quando o bebê para de respirar por alguns segundos. Na presença de qualquer um desses sintomas de cunho respiratório, a orientação é buscar imediatamente uma emergência.
— Se os pais estiverem em dúvida se a criança está ou não fazendo algum tipo de esforço para respirar, o melhor é sempre procurar atendimento, pois as consequências da espera podem ser graves — enfatiza Luíza.
O pneumologista Gilberto Fischer lembra que, entre os sintomas, o chiado no peito é o mais característico da doença. Por isso, é fundamental que os responsáveis saibam identificá-lo.
— É um ruído que ocorre no momento da saída do ar e é audível mesmo sem estetoscópio — explica o médico.
— Trata-se de uma pista clara da bronquiolite e, em alguns casos, também um indício de tendência asmática. A criança pode ter a doença e não apresentar mais nada ou pode repetir episódios de chiado e desenvolver um quadro compatível com asma, que poderá ser diagnosticado com certeza após os dois anos — complementa.
Conforme o médico, na maior parte dos casos o diagnóstico da bronquiolite é essencialmente clínico, a partir da análise dos sintomas. Em alguns casos, pode ser feito raio-x de tórax e identificação viral por meio de testes rápidos.
Como é o tratamento?
Confirmado o diagnóstico, o tratamento é baseado no controle dos sintomas e no suporte ao paciente. Isso porque, atualmente, não existe nenhum medicamento específico para combater o VSR, principal vírus causador da bronquiolite. Por se tratar de uma infecção viral, também não é indicado o uso de antibióticos.
Nos quadros mais leves, o tratamento pode ser feito em casa, com repouso, hidratação e lavagem nasal rigorosa, com soro fisiológico, para reduzir a secreção.
Já nos casos graves, quando há necessidade de internação, o foco está em oferecer suporte respiratório à criança.
— O tratamento padrão ouro é oferta de oxigênio, fisioterapia respiratória e aspiração de vias aéreas — afirma Luíza.
Gilberto acrescenta que, em casos selecionados, especialmente quando há suspeita de asma associada, pode ser indicado o uso de broncodilatadores — também conhecidos como "bombinhas".
— Quando lançamos mão da bombinha, consideramos que existe um componente asmático. O primeiro episódio de chiado em crianças menores é categorizado como bronquiolite, mas, a partir do segundo, já considera-se uma possível tendência asmática. Nesses casos, pode-se tentar um broncodilatador para verificar se a criança melhora.
Como prevenir a bronquiolite?
Para prevenir a bronquiolite, além das medidas de controle social — como evitar aglomerações e o contato da criança com muitos adultos —, é importante manter os ambientes ventilados e lavar as mãos com frequência — o que vale tanto para a criança quanto para os adultos que convivem com ela.
Também existem tecnologias de imunização disponíveis. No Sistema Único de Saúde (SUS), gestantes entre a 28ª e 36ª semana podem receber a vacina contra o VSR, que transfere anticorpos para o feto e protege o bebê nos primeiros seis meses de vida.
Outra alternativa para os pequenos é o Beyfortus (nirsevimabe), um anticorpo monoclonal que oferece proteção contra o VSR por cerca de seis meses, compreendendo uma temporada inteira de circulação do vírus.
O imunizante está disponível sem restrições na rede privada e, no SUS, somente para bebês prematuros e crianças com comorbidades específicas, que apresentam alto risco de complicações.
Fonte: GZH
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