Lula anuncia linha de crédito de R$ 18,5 bilhões às empresas afetadas pelo tarifaço de Trump
O governo Lula anunciou um auxílio de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito às empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço de Donald Trump, que começa a valer a partir desta quarta-feira (22).
A sobretaxa de 25% imposta pelo governo norte-americano vai afetar importantes setores exportadores do país, como madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Com isso, o país passará a ser o segundo mais tarifado pelos EUA, atrás apenas da China, cuja tarifa média chega a 27%. Até então, o Brasil estava na 13ª posição. O tarifaço vai impactar quase metade das exportações do RS (48,2%) para os EUA, segundo cálculo da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). O país é o segundo principal destino dos embarques do Estado.
Linha de crédito de R$ 18,5 bilhões
Trata-se da nova etapa do Plano Brasil Soberano. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados.
A ampliação será viabilizada por uma nova medida provisória (MP), que será assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e encaminhada ao Congresso nesta quarta. A MP autoriza o uso de recursos do Tesouro Nacional e permite que esses valores sejam combinados com recursos próprios do banco.
Empresas mais afetadas
A medida irá beneficiar exportadores atingidos pela tarifas impostas com base nas seções 232 e 301 da legislação comercial norte-americana.
A Seção 232 afeta setores como aço, alumínio, automóveis e móveis. Já a Seção 301 alcança produtos dos setores de madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, cerâmicas, plásticos, calçados, papel e açúcar.
O programa também atenderá empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
O governo brasileiro vai retaliar?
Embora a Casa Branca não dê sinais de que esteja disposta a negociar mais, o governo brasileiro descarta, até o momento, adotar medidas comerciais de reciprocidade.
Nesta terça-feira (21), após se reunir com representantes de setores atingidos, o vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou que retaliar não está no radar do Planalto.
Empresários de setores afetados também defendem que o governo siga tentando reverter a sobretaxa por meio de negociação.
— Entendemos que nós temos que continuar pela via diplomática-empresarial, o que nós estamos fazendo — disse José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), após a reunião.
Também nesta terça-feira, na véspera da entrada em vigor da sobretaxa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma postagem em rede social na qual afirmou que "nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional". "Ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, escreveu o presidente.
Fonte: GZH
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