Venezuelanos buscam parentes após terremotos; número de mortes sobe para 920
Socorristas e voluntários procuravam na madrugada de sexta-feira (26), entre os escombros, sobreviventes dos terremotos que deixaram pelo menos 920 mortos na Venezuela, de acordo com atualização divulgada 15h. As primeiras equipes internacionais de auxílio começaram a desembarcar no país.
A atualização sobre o número de mortos foi divulgada na tarde desta sexta-feira (26) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
O Estado de La Guaira, a área mais afetada pelos tremores, "está completamente militarizado", acrescentou Rodríguez em um pronunciamento televisionado. A contagem anterior do governo apontava 589 mortos.
Os terremotos de 7,2 e 7,5 graus de magnitude que atingiram o norte do país na quarta-feira (24) deixaram cenário de desolação, com edifícios que desabaram, em particular na região de La Guaira, cidade litorânea próxima de Caracas.
Na capital, iluminados por um refletor, dois operários utilizavam marretas nos escombros de um prédio destruído.
— Silêncio absoluto — grita um deles, para tentar escutar possíveis pessoas presas.
— Uma lanterna, uma lanterna — pede outro.
Um site foi criado para reunir informações sobre desaparecidos. Há 40 mil registros, mas o número não foi confirmado pelo governo.
"Zona de desastre"
Em La Guaira, onde fica o aeroporto mais importante do país, fechado devido aos danos provocados pelos terremotos, alguns moradores tentam resgatar os parentes soterrados.
— Ele está aqui— afirma, entre lágrimas, Alessandro del Giudice, um jovem de 23 anos que tenta encontrar o pai sob uma montanha de escombros.
Sua avó Amparo, desesperada, tenta retirar as ruínas com as próprias mãos em busca do filho.
— São muitas pedras e com as mãos não é possível — disse pouco depois, impotente.
A presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, visitou La Guaira na quinta-feira, onde declarou "zona de desastre".
"Minha filha está desaparecida"
As redes sociais foram dominadas por pedidos de informação sobre desaparecidos, muitos em La Guaira. As pessoas consultam listas divulgadas pelos hospitais públicos com nomes de feridos.
— Minha casa caiu por completo, perdi família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não a encontro — disse Jean Alexander Capote, 48 anos, morador de La Guaira.
As cenas de destruição e pânico se repetiram em Caracas. No bairro de Altamira, uma das áreas de maior atividade sísmica da capital, um edifício de 22 andares desabou.
Pouco depois dos tremores, era possível ouvir pessoas gritando os nomes de seus familiares na esperança de obter alguma resposta. Em outros bairros, a situação era semelhante: casas destruídas e edifícios rachados.
Rita Gómez, 60 anos, viajou durante toda a noite de Maracaibo até Caracas, após ver nas redes sociais imagens do prédio onde sua filha morava completamente destruído.
— Estou confiando em Deus para que consigam encontrá-la com vida — disse Rita.
Em um muro, destacava-se a fotografia de um menino de seis anos. Ao lado dela, lia-se: "Desaparecido no terremoto", juntamente com seu nome e um telefone para contato. Última localização conhecida: La Guaira.
Ajuda internacional
Em um discurso na quinta-feira, a presidente interina anunciou o deslocamento de equipes de outros estados para Caracas e La Guaira, assim como o envio de equipes internacionais, que começaram a desembarcar no país.
Socorristas de El Salvador e do México já estão na capital Caracas. A imprensa venezuelana também informou sobre a chegada de equipes e insumos do Chile e da Suíça.
Após a promessa do presidente Donald Trump de ajudar seus "novos e grandes amigos", o governo dos Estados Unidos ofereceu 150 milhões de dólares e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.
Um general do Comando Sul, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para "supervisionar" as operações para salvar vidas e prestar "assistência humanitária nas zonas afetadas".
Muitos países da América Latina também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda. Outros países, como Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia, também prometeram enviar equipes.
Ajuda brasileira
O Brasil também vai enviar ajuda aos venezuelanos. O primeiro voo sai nesta sexta-feira, do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
A missão humanitária de busca e resgate urbano contará com 36 bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações.
No sábado (27), um novo avião será enviado com equipamentos para a montagem de um hospital de campanha.
Os terremotos
O primeiro terremoto ocorreu às 19h04min (horário de Brasília), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois, ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.
A força dos terremotos foi sentida até mesmo na Colômbia. Desde então, foram registrados mais de 130 tremores secundários. A Venezuela é um país de atividade sísmica, mas um grande terremoto não era registrado desde 1997.
Fonte: GZH
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