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Fontes de combustível verde: o que faz a área da canola dobrar e a do trigo encolher no RS

  • Data: 22/jun/2026

Cada vez mais consolidada entre as culturas de inverno como fonte de renda aos agricultores, a canola promete este ano uma nova florada de destaque. A área plantada com a cultura mais que dobrou no Rio Grande do Sul para a safra de 2026, consolidando mais um ano de crescimento da oleaginosa nas lavouras. Em contrapartida, o trigo, tão tradicional nas plantações de inverno, perde mais espaço.

A virada entre as culturas tem a ver com a sua rentabilidade. Entre outras finalidades, ambos os cultivos são matéria-prima para a produção de biocombustíveis, ramo fabril e energético em que o RS tem protagonizado competitividade. No entanto, a canola se mostra mais rentável que o trigo, sobretudo por preço no mercado. Além disso, plantar trigo custa quase R$ 550 a mais por hectare do que plantar canola.

— O produtor avança onde há segurança. A canola é uma cultura que trabalha de forma muito integrada com a indústria. Isso é garantia do preço, de insumo para ter produção, e isso faz com que a canola venha avançando a passos largos no Estado — avalia o diretor técnico da Emater, Mateus Rocha.

A canola é matéria-prima para fabricação de óleo comestível e de farelo para ração animal. Mas nos últimos anos tem conquistado espaço também na produção de energia verde que abastece motores. Ou seja, além de terreno nas lavouras, tem espaço na indústria, se mostrando muito mais versátil que o trigo.

Se tudo correr bem até a colheita, a produção estimada é de 571.975 mil toneladas de canola, um aumento de 100,3% em relação ao ciclo passado. Os dados são da Emater, e foram apresentados nesta segunda-feira (22), na primeira estimativa de safra para a estação mais fria do ano.

Trigo perde espaço
Perdendo competitividade por motivos de preço e custo, o trigo, cultivo tradicional há décadas na agricultura gaúcha, deve ter queda de 30,1% em área plantada e de 36,3% em produção total, somando 2,1 milhões de toneladas de cereal.

Apesar da proporção ainda superior aos demais cultivos da época, a combinação entre clima, crédito e descapitalização dos agricultores inibem o crescimento do cereal.

— Tem a uma questão muito lógica, que é o El Niño, que deixa o produtor receoso, mas também há a questão do crédito. Estamos passando por um cenário muito grande de incertezas. O produtor gaúcho está mais descapitalizado — diz o diretor técnico.

A redução no trigo acende um alerta para a indústria gaúcha de biocombustíveis, que está apostando na produção do cereal para a implementação de usinas de etanol. Novos empreendimentos já em operação e outros em vias de começar a operar concentram suas tecnologias justamente no processamento do cereal de inverno. O contexto fabril, portanto, vai exigir um fomento maior da produção agrícola no Estado.

Somando todas as culturas da estação, a Emater projeta uma produção 22,1% menor neste inverno no Estado, se comparado à safra de 2025. A colheita deve somar 4,7 milhões de toneladas entre aveia, canola, cevada e trigo. Já a área plantada deve ser 10,7% menor, com 1,5 milhão de hectares.

Para o secretário da Agricultura do Estado, Márcio Madalena, o RS deve avançar na produção de matéria-prima de viés energético nos próximos anos, especialmente a partir de 2027, com a maior utilização de áreas que antes ficaram ociosas no inverno.

— Vamos observar isso a partir desta próxima safra: o Rio Grande do Sul se preparando não apenas para uma transição de culturas, mas para deixar de ter áreas paradas para termos áreas produtivas para esse novo momento, que é se transformar numa grande potência alimentar e energética para o mundo — disse Madalena.

Fonte: GZH

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