No G-7, Lula diz que Trump fez "coisa desaforada" ao ameaçar Brasil com novo tarifaço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço, no início da tarde desta quarta-feira (17), da participação do Brasil na cúpula do G-7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Em entrevista coletiva com jornalistas, Lula comentou sobre a ameaça dos Estados Unidos de impor um novo tarifaço ao Brasil.
— Eu não pedi (reunião) bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo, o Mauro Vieira (ministro das Relações Exteriores) e o meu ministro do Comércio estão tratando com o ministro do Comércio dele.
Na noite de terça (16), Lula conversou brevemente com o presidente americano, Donald Trump. De acordo com o g1, o diálogo não tratou de assuntos sensíveis, como a classificação de facções criminosas como terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Ainda assim, Lula comentou sobre o tema:
— Eu entreguei para ele (Trump) um documento do crime organizado para mostrar que a nossa Polícia Federal está preparada para enfrentar o crime organizado. (...) Essas facções criminosas são terroristas para o povo brasileiro, para o povo das comunidades no Brasil. Não são terroristas como você pensa. Eles não querem brigar e derrotar o Estado. Eles não querem criar um outro Estado. Eles querem dinheiro. Então é diferente. Mesmo assim, não o Trump, mas o Marco Rubio, anunciou isso.
Lula disse ainda ter expectativas de negociar com os EUA, apesar do "rompante deles em relação ao Brasil". o presidente ainda projetou a criação do Ministério da Segurança Pública.
Lula a Trump: "Não se meta nas eleições"
Em paralelo, o presidente Donald Trump fez declarações sobre o Brasil e as eleições deste ano. O americano classificou o Brasil como um "país politicamente difícil" e disse, confundindo Flávio com Eduardo Bolsonaro, ter ouvido falar "que prenderam Bolsonaro Júnior", que estaria "indo bem nas pesquisas".
Questionado por jornalistas, Lula respondeu:
— Eu acho que ele (Trump) conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso.
Lula defendeu a urna eletrônica e o sistema eleitoral brasileiro, mas pediu que Trump não interfira na política do Brasil:
— Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas deles. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute.
— Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas, é um problema deles, não é um problema meu — completou Lula.
Conversa com Zelensky
Lula também conversou com o presidente da Ucrânua, Volodymyr Zelesnky, sobre a guerra com a Rússia. Segundo o brasileiro, o diálogo foi "a melhor conversa que eu tive com Zelesnky":
— Eu já achava, há um ano atrás, que esta guerra está na hora de acabar. (...) Quem é que pode fazer parar esta guerra? Os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU: Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Trump (EUA), Reino Unido e França. São eles os donos da ONU.
Presença da China no Brasil
Citando uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula disse que países da Europa e os próprios EUA deixaram de investir na América Latina e na África:
— Eu disse ao presidente Trump de que faz muitos anos que o Brasil faz licitação internacional, e os Estados Unidos não participam, a União Europeia não participa. Quem participa? A China. Essa é a vantagem que a China leva. A China ocupou um espaço que estava vazio pela ausência dos europeus e pela ausência dos americanos.
Lula ainda falou da negociação envolvendo terras raras:
— Quanto mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e estiverm dispostos a contribuir participando da exploração e da industrialização, enriquecimento da terra de mineração crítica, desde que seja dentro do nosso país, seja bem-vindo. Nós não queremos repetir o ciclo do ouro, em que tudo, embora a gente ficava com nada.
O presidente brasileiro ainda falou dos debates dos líderes em relação às plataformas digitais e avanços da intelgência artificial. Lula afirmou que o Brasil possui uma das legislações mais modernas do mundo acerca do tema.
Fonte: GZH
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