Copom define taxa Selic nesta quarta; saiba o que o mercado espera
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (17) o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic. O mercado financeiro espera novo corte de 0,25 ponto percentual — a exemplo do que aconteceu nas últimas três reuniões, em abril, março e janeiro. Se isso se confirmar, o juro fica em 14,25% ao ano.
Esta expectativa hoje é quase consenso, mas até o fim da semana passada havia divergência, com analistas apontando possibilidade de interrupção do ciclo de cortes e manutenção da taxa em 14,50%.
Na reunião passada, o Copom destacou as incertezas no cenário macroeconômico com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que provocou uma crise de abastecimento de petróleo no mundo. Como o preço dos combustíveis interfere diretamente no custo de transporte, o risco inflacionário se espalha por toda a economia.
Agora, a possibilidade da interrupção do conflito no Oriente Médio alivia esta pressão. O acordo de paz anunciado no domingo (14) só será assinado na sexta-feira (19), mas já fez cair o preço do petróleo — na terça-feira (16), o barril do Brent, referência no mercado internacional, fechou cotado abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde o começo de março. No início da guerra, o preço chegou a superar os US$ 100.
A taxa básica de juros é a principal ferramenta de controle da inflação — uma taxa mais alta desestimula o consumo, reduzindo a demanda por produtos e serviços e freando aumento generalizado de preços.
Aparente contradição
O boletim Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central a partir de expectativas colhidas junto ao mercado financeiro, vem apontando para alta do custo de vida. Na mais recente divulgação, na segunda-feira (15), a projeção do índice oficial de inflação, o IPCA, subiu de 5,11% para 5,30% no ano. Há quatro semanas, esperava-se que chegasse a 4,92%.
A meta do Banco Central para o IPCA é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Ou seja, a expectativa do mercado segue acima do teto da meta, que seria de 4,5%. O mercado também elevou a projeção para a Selic no fim do ano, de 13,50% para 13,75%.
Estes indicadores podiam embasar uma decisão mais conservadora do Banco Central, mas o acordo para interrupção da guerra no Irã — anunciado após o levantamento do Banco Central — projeta um cenário melhor. Há expectativa, porém, pelo comunicado que acompanha a decisão do Copom e que costuma apontar para decisões futuras — a próxima reunião ocorre em 4 e 5 de agosto.
Analistas apontam ainda que a terça-feira (16) trouxe argumentos em favor de um corte da taxa, com divulgação dos dados de queda de 1,5% nas vendas do comércio brasileiro em abril — sinalizando redução da demanda na economia — e queda de 0,30% do IPG-10, índice de inflação calculado pela Fundação Getulio Vargas.
O Banco Central costuma divulgar o comunicado com a decisão sobre a taxa Selic logo após o término do segundo dia de reuniões do Copom, geralmente a partir das 18h30min.
Super Quarta
O mercado chama esta de "Super Quarta" porque, além do Copom, haverá decisão do Federal Reserve, o banco central americano. Esta é a primeira revisão do juro nos Estados Unidos com o Fed sob o comando de Kevin Warsh. Indicado por Donald Trump, Warsh, assim como o presidente, tem criticado as altas taxas de juros e defendido cortes.
Apesar disso, a expectativa é de manutenção do juro, atualmente na faixa entre 3,50% e 3,75%. Pesa para isso a inflação nos EUA, que vem em alta.
Além do controle dos preços, o Fed tem como meta a manutenção do cenário de pleno emprego. Como o mercado de trabalho norte-americano segue aquecido, não há urgência por corte no juro que pudesse gerar pressão inflacionária.
Fonte: GauchaZh
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