Inadimplência tem leve recuo em maio, mas ainda atinge 4,1 milhões de gaúchos
A inadimplência segue em níveis alarmantes entre gaúchos e brasileiros. Em maio, o percentual da população do Rio Grande do Sul com dívidas em atraso chegou a 46,58%, o que representa 4.140.567 pessoas. Em todo o Brasil, o percentual chega a 50,85%, equivalente a 83.502.846 brasileiros adultos. Os dados fazem parte do Mapa da Inadimplência, levantamento mensal conduzido em todo o país pela Serasa.
Apesar da inadimplência ainda estar em patamar elevado, os dados do mês passado mostram um recuo em relação a abril. No Rio Grande do Sul, houve uma queda de 0,67% no número de inadimplentes entre abril e maio, a primeira redução mensal no índice registrada em 2026. No quarto mês do ano, eram 4.168.417 inadimplentes no Estado, ou 46,90% da população gaúcha adulta, até então um recorde histórico do levantamento, realizado desde 2016.
— Os números mostram que a inadimplência deixou de ser um fenômeno restrito a grupos específicos e passou a ser uma característica estrutural da nossa realidade econômica. Quando praticamente metade da população adulta está negativada, estamos falando de uma fragilidade financeira que está disseminada. Para os indivíduos, uma das principais consequências é a restrição de acesso ao crédito, importante justamente em momentos em que muitas famílias precisam financiar consumo, reorganizar dívidas ou até lidar com emergências, além do stress que a situação gera — afirma o especialista em seguros da Serasa Guilherme Oliveira.
Entenda a diferença
- Endividado: é qualquer pessoa com contas a pagar, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos ou empréstimos, mesmo que em dia.
- Inadimplente: é quem tem dívidas em atraso, ou seja, que não conseguiu pagar o valor devido no prazo.
Dívida média de R$ 8 mil
Somado, o valor das dívidas dos inadimplentes gaúchos em maio chega a R$ 33,1 bilhões. O valor médio das dívidas por inadimplente fica em R$ 8.005,44. As dívidas em atraso com bancos e cartões de crédito representam o principal segmento da inadimplência no Estado, registrando 27,28% das ocorrências no último mês.
Entre os municípios gaúchos, Porto Alegre lidera no número de inadimplentes, com um total de 590.991 pessoas. Na sequência, vêm Caxias do Sul, com 169.099, e Canoas, com 164.199. São também as três cidades mais populosas do Estado.
Ainda no Rio Grande do Sul, o maior número de inadimplentes, 34,5% do total, se concentra na população com idade entre 41 e 60 anos. Os adultos entre 26 e 40 anos correspondem a 32% dos casos de inadimplência em maio no Estado, e os que têm mais de 60 anos, 23,1% dos casos.
— Existe uma grande tendência em associar a inadimplência apenas à falta de renda, mas nossa experiência mostra que também está ligada à ausência do planejamento financeiro. É necessário fazer uma organização financeira, ter clareza em relação à sua renda e seus gastos em cada categoria de despesa. Um segundo ponto, quando possível, é criar uma reserva para imprevistos, mesmo que inicialmente pequena, pois grande parte do ciclo de endividamento começa quando surge um gasto inesperado — reforça Guilherme Oliveira.
Panorama nacional
Diferentemente do que ocorreu no Rio Grande do Sul, a inadimplência em todo o Brasil voltou a crescer entre abril e maio. No quarto mês do ano, o número de brasileiros inadimplentes era de 83,39 milhões, que passou para 83,50 milhões no mês seguinte.
Em maio, foram 113 mil novas pessoas no país registradas como inadimplentes. Por outro lado, aponta a Serasa, este foi o menor crescimento mensal desde o início de 2026, registrando variação de 0,14% em relação ao mês anterior.
Além disso, das 27 unidades federativas do país, 14 registraram redução no volume de consumidores negativados, assim como o Rio Grande do Sul. A soma das dívidas dos brasileiros inadimplentes em maio chegou a R$ 574 bilhões, com ticket médio de R$ 6.877,23 por dívida.
Os bancos e instituições financeiras também representam o principal segmento dos casos de inadimplência no país, concentrando 46,87% do total.
— Este foi o menor avanço mensal do ano, é um sinal muito positivo. É razoável a gente atribuir parte desse movimento ao aumento das negociações de dívidas, como por exemplo o novo Desenrola, que ajuda a recolocar milhares de consumidores em condições de reorganização financeira. No entanto, é preciso cautela para atribuir toda a melhora exclusivamente a essas políticas, pois a dinâmica da inadimplência também depende de outros fatores, como aquecimento do mercado de trabalho, evolução da renda e da inflação, por exemplo — destaca Guilherme Oliveira.
Oportunidades para negociação
A própria Serasa mantém iniciativas próprias voltadas à renegociação de débitos em atraso, incluindo condições especiais por meio do Descontaço, ação que reúne cupons de descontos, ampliando ofertas para consumidores com débitos atrasados.
Conforme a instituição, cerca de 11 milhões de consumidores podem aproveitar ofertas com cupons disponíveis, que chegam a até R$ 500 em desconto adicional para dívidas negociadas à vista pelo site ou pelo aplicativo da Serasa, somando os abatimentos já concedidos pelas empresas parceiras.
Para usar os cupons e negociar dívidas com mais descontos na Serasa, siga os seguintes passos:
- Acesse o site ou o aplicativo da Serasa
- Faça login com CPF e senha
- Clique em "Negociar dívidas"
- Veja qual oferta possui cupom disponível e clique em "Negociar agora"
- Escolha a opção de pagamento à vista, por Pix ou boleto
- Selecione a data de vencimento desejada
- Na área de confirmação do acordo, ative a opção “Adicionar cupom”
- Depois, clique em "Fechar acordo" e realize o pagamento com desconto
Fonte: GZH
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