Safra de soja cresce 33% no RS, mas não alcança expectativas iniciais
Confirmando as estimativas de perda cantadas ainda no decorrer do ciclo, a safra de soja no Rio Grande do Sul fechou a temporada 2025/2026 abaixo do que se esperava, mas não tão distante do que tem sido possível colher em meio às oscilações do clima.
Outra vez sentindo efeitos da falta de chuva, a produção total do grão somou 18,1 milhões de toneladas, aquém das 21,4 milhões de toneladas inicialmente calculadas. A produtividade, ou seja, o rendimento de grãos por hectare, também encolheu: caiu para 2.707 kg/ha, uma redução de 14,8% ante ao que se esperava no início do plantio.
Mas apesar da queda em relação às primeiras expectativas, a safra do grão chegou a 18.132.401 toneladas, representando aumento de 33% sobre as 13.643.986 toneladas colhidas em 2025, quando a estiagem pegou ainda mais forte na produção gaúcha (veja números abaixo).
Ou seja, apesar das dificuldades por causa do clima, a temporada deste ano representou certa recuperação para os agricultores no RS.
Os dados são da Emater, que acompanha o desempenho das culturas localmente. O informativo conjuntural diz que os dados consolidados evidenciam grande variação regional, como reflexo das diferentes condições hídricas ao longo do ciclo. Na prática, é a repetição de um caráter heterogêneo da falta de chuva sobre as lavouras e um comportamento que já vinha se mostrando crucial para os resultados no Estado.
— É uma safra que, diante das dificuldades, não dá para reclamar muito. Mas o ruim disso é associar o combo preço e produção. O preço de comercialização do grão não está cumprindo com a expectativa que se tinha dos agricultores — comenta o assistente técnico em culturas da Emater, Alencar Rugeri.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), Irineu Orth, "celebrou os dados" em meio ao contexto possível de produção.
— Ficamos no meio termo. Temos uma recuperação na ordem de 33% em relação à anterior, mas uma colheita menor do que esperávamos. Muitas regiões isoladas tiveram problemas sérios, colheram menos de 20 sacas. Foram focos regionais.
Apesar da colheita menor, o resultado da safra 2025/2026 para o grão ainda está entre os maiores.
A soja é o principal produto agrícola do Rio Grande do Sul, por isso a sua relevância. Cerca de 60% do grão produzido no Estado é enviado à exportação e o resultado da sua comercialização está diretamente ligado ao desempenho do PIB gaúcho.
Outros grãos da temporada
O avanço positivo no milho foi confirmado nos dados. Essencial para a agricultura gaúcha, em especial pela sua relação com a alimentação animal, a produção de milho alcançou 5,9 milhões de toneladas, acréscimo de 13,1% em relação à safra anterior.
Já no arroz, em razão da menor área plantada, a produção também ficou menor. A colheita de 7,7 milhões de toneladas representou redução de 11,4% e comparação à do ano passado. A desvalorização nos preços do cereal levou os produtores a apostarem menos na cultura este ano, de forma a equilibrar a oferta no mercado.
Preocupação com os próximos plantios
Com o endividamento dos produtores gaúchos ainda sem uma resposta final, apesar do avanço da pauta esta semana no Congresso, a implementação das próximas safras é motivo de atenção devido às condições financeiras dos agricultores.
Para o presidente da Aprosoja, a deterioração financeira, somada à alta nos custos de produção e às incertezas do clima, tendem a tornar cada vez mais distantes produtividades e colheitas recordes.
— O ano anterior tinha sido péssimo, e agora temos mais uma quebra em relação à expectativa. Se não forem resolvidos os problemas financeiros dos produtores, de novo não vamos chegar ao patamar que se poderia. Mesmo que o clima ajude, se não há adubação na base, não se alcança uma boa produtividade — acrescenta Irineu Orth.
Fonte: GZH
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