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Polícia Civil lança projeto para debater violência com agressores

  • Data: 08/jun/2026

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul estruturou, na última semana, uma iniciativa de enfrentamento à violência contra a mulher: o Projeto Despertar. A partir da primeira quinzena de julho, serão realizados grupos reflexivos com agressores. Os encontros serão semanais e terão duração de 60 minutos.

O objetivo do programa é conscientizar os homens a respeito das consequências de crimes envolvendo a violência de gênero, além de possibilitar a reavaliação das atitudes e a mudança de cultura.

— Frente à epidemia de feminicídios, temos também que voltar os olhos ao homem, haja vista que o problema é ele, não a mulher — enfatiza o delegado Juliano Ferreira, diretor do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV).

As estatísticas seguem alarmantes. Até esta segunda-feira (8), 38 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado somente em 2026. Conforme o DPGV, cerca de 50 ocorrências envolvendo violência doméstica no Estado são registradas diariamente.

O Projeto Despertar terá o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, que cederá uma psicóloga. Já a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB/RS) indicará um advogado para acompanhar as reuniões e eventuais demandas judiciais. O intuito é que o homem entenda questões que vão desde o significado de uma medida protetiva de urgência (MPU) até questões envolvendo guarda dos filhos e direitos relacionados a bens patrimoniais.

Esses especialistas atuarão junto às equipes das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams). A participação dos agressores será previamente informada ao juiz do processo.

Redução na taxa de reincidência
Waleska Alvarenga, diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam) e responsável pela coordenação das Deams no Estado, chama a atenção para o impacto de projetos como o Despertar.

Ela menciona, por exemplo, o Homem que é Homem. O projeto foi desenvolvido pela Polícia Civil do Espírito Santo para reflexão e responsabilização de autores de violência doméstica. Em um mesmo período, a taxa de reincidência entre os participantes do projeto foi de 8%. Já os homens que não participaram da ação tiveram reincidência de 70%.

De acordo com Waleska, grupos reflexivos estão entre uma das medidas de proteção previstas na Lei Maria da Penha.

— São uma política pública prevista em lei, barata e eficaz. Às vezes, o homem nem se reconhece como agressor e precisamos esclarecê-lo. E, na prática, há constatação de que os índices de violência reduzem entre os que participam dos grupos — analisa a delegada.

Perfil será traçado
Conforme o delegado Juliano Ferreira, do DPGV, será previamente traçado um perfil de quem pode participar do projeto. Cada encontro prevê a participação de, no máximo, 30 homens. Criminosos contumazes, presos e faccionados não serão incluídos no projeto.

Inicialmente, a ação será voltada à Capital, mas se discute a expansão do projeto em outros municípios gaúchos.

— Estamos convictos de que temos que agir preventivamente sobre esse homem (agressor). Por isso, esses encontros terão o objetivo de mudar o padrão de pensamento desse indivíduo — acrescenta o delegado.

Fonte: GZH

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