Medicação em estudo, polilaminina traz esperança de agricultor tetraplégico voltar a andar no RS
Uma medicação em estudo fomenta no agricultor Jair Rodrigues Vargas a esperança de voltar a andar. O morador de Jaboticaba, no norte do Estado, ganhou na Justiça o direito de receber a polilaminina, substância experimental que pode devolver os movimentos ao seu corpo.
A terapia já foi administrada em 58 pacientes no país, sendo dois no RS. Outras quatro pessoas receberam autorização para iniciar o processo, entre elas Jair, vítima de um acidente que o deixou tetraplégico.
Durante o período de recuperação, nos últimos quatro meses, uma amiga da família apresentou a possibilidade de utilizar a medicação.
— No momento eu só vi que deu o estouro e apagou tudo. Quando cheguei no hospital, as enfermeiras disseram: "Jair, tenta andar". Mas eu não sentia mais nada. Quero esquecer aquilo que o doutor me disse (que não voltaria a andar). Quero virar essa página e voltar a ser o homem feliz que eu era — diz o agricultor.
A lesão interrompeu a comunicação entre o cérebro e o corpo. Depois do acidente, Jair ficou cerca de um mês internado em Passo Fundo e 28 dias em uma instituição de Jaboticaba.
Apesar do caso ser considerado grave, principalmente pelo tempo transcorrido desde o acidente, existe expectativa de melhora caso o medicamento seja aplicado dentro da janela considerada adequada pelos especialistas.
Reconstrução
Ativo e habituado a trabalhar no campo, Jair também fazia entregas de produtos coloniais, rotina interrompida pelo acidente. Seu filho, Kauã Junior Baptista Vargas, precisou abandonar o trabalho para assumir os cuidados da propriedade rural.
— Agora surgiu essa oportunidade e estamos muito otimistas. Com fé, acreditamos que o pai vai recuperar os movimentos — afirma.
O neurocirurgião Matheus Balen, que acompanha o caso, explica que a polilaminina funciona como uma estrutura de apoio para tentar restabelecer conexões nervosas interrompidas após o trauma.
— A laminina já existe no corpo humano e é responsável pela estruturação dos tecidos. A polilaminina foi desenvolvida a partir dela e pode ajudar a refazer estruturas de sustentação, permitindo que algumas conexões sejam reconstruídas — diz.
A família também conseguiu uma decisão judicial que reduziu o prazo de análise da autorização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Procurada pela reportagem, a Anvisa afirmou, em nota, que não comenta casos individuais, mas explicou que o uso compassivo de medicamentos experimentais é destinado a pacientes graves, sem alternativas terapêuticas, mediante consentimento.
A agência acrescentou que a responsabilidade pelo tratamento é dos médicos e da empresa desenvolvedora e que o processo segue em análise prioritária.
Fonte: GZH
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