Campanha Setembro Lilás convida o Brasil a se informar sobre Alzheimer
A informação transforma e o silêncio alimenta o estigma sobre a demência. Partindo dessa premissa, a campanha Setembro Lilás 2025 convida a sociedade ao debate e incentiva: Pergunte sobre Alzheimer. Pergunte sobre demência. A proposta é abrir espaço para o diálogo, desfazer preconceitos e ampliar o acesso à informação sobre uma condição que afeta mais de 2 milhões de pessoas no Brasil e 55 milhões no mundo. Um novo estudo, publicado recentemente na revista The Lancet Regional Health – Americas, reforça a urgência desse debate. A pesquisa mostra que quase 60% dos casos de demência no Brasil poderiam potencialmente ser evitados ou adiados com o controle de fatores de risco conhecidos, especialmente baixa escolaridade na juventude, perda de visão não tratada na velhice e depressão na meia-idade.
A Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz) realiza a campanha no Brasil, em alinhamento com a mobilização global da Alzheimer Disease International (ADI). Com quase três décadas de atuação, a Febraz trabalha na articulação de políticas públicas e no fortalecimento de uma rede de associações que oferecem apoio direto a famílias em diversas regiões do país. A entidade produz conteúdos educativos, promove formações gratuitas, participa de projetos de pesquisa e representa o Brasil nos principais fóruns internacionais sobre demência.
Ao longo de setembro, estão programados eventos presenciais em várias cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Londrina, no Paraná, e Belém do Pará. Serão realizadas palestras, rodas de conversa, caminhadas, atividades culturais e encontros para estimular a interação social. Monumentos em todo o Brasil serão iluminados na cor lilás em apoio à iniciativa.
A campanha também vai divulgar o conteúdo do Relatório Mundial de Alzheimer 2025, sobre terapias não farmacológicas para reabilitação, com lançamento previsto para 18 de setembro. “Reabilitar, no contexto das demências, não é recuperar o que foi perdido, mas valorizar o que permanece, preservar a autonomia e promover bem-estar”, afirma Elaine Mateus, presidente da Febraz.
Outro alerta do Setembro Lilás é a urgência da efetivação de políticas públicas. A Lei 14.878, que instituiu a Política Nacional de Cuidado Integral em Alzheimer e outras Demências, aprovada em junho do ano passado, ainda não foi implementada. Segundo o Relatório Nacional sobre as Demências no Brasil, quase 80% das pessoas que vivem com a condição no país não receberam diagnóstico. A maioria das pessoas diagnosticadas nunca acessou serviços de reabilitação. Outro dado preocupante revela que mais de 80% dos cuidadores familiares são mulheres, que assumem essa responsabilidade sem apoio nem remuneração.
“Ninguém consegue cuidar bem se não está bem. É impossível fazer isso sem uma rede de apoio”, relata Julia de Oliveira, responsável pelos cuidados com a mãe, Myriam, há 16 anos, em Belo Horizonte.
Ela também chama atenção para a falta de suporte após o diagnóstico. “As pessoas saem do consultório sem nenhuma orientação sobre o dia a dia com Alzheimer. Muitas não têm grupo de apoio nem referências locais. Isso torna tudo mais difícil.”
O site oficial da campanha reúne respostas confiáveis em linguagem acessível para as perguntas mais frequentes e estimula a participação da sociedade civil sugerindo a realização de ações educativas, disponibilizando material informativo para compartilhamento em redes sociais e estimulando o envio de perguntas aos especialistas da Febraz. Para saber mais, acesse setembrolilas.org.br.
Fonte: Site Campanha Setembro Lilás
Foto: Divulgação
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