Regras para o trabalho aos domingos e feriados serão definidas nesta quarta-feira
Expectativa é pela inclusão dos supermercados entre os setores autorizados a funcionar sem a necessidade de realização de convenções coletivas com sindicatos laborais
Uma reunião às 15h desta quarta-feira (21), no Ministério do Trabalho, em Brasília deverá definir as regras para o funcionamento de estabelecimentos comerciais aos domingos e feriados. O tema gera controvérsias entre entidades patronais e sindicatos há, pelo menos, três meses, quando o titular da pasta Luiz Marinho assinou a portaria 3.665, em 13 de novembro de 2023, revogando a norma vigente desde 2021.
O texto excluía alguns setores da lista dos que poderiam abrir as portas nessas ocasiões sem acordos coletivos com os trabalhadores. Era o caso do varejo de gêneros alimentícios, dos açougues, das farmácias e dos comércios de produtos industrializados, entre outros.
De acordo com as determinações, as normas vigorariam de imediato, mas após a forte reação contrária de segmentos empresariais – sob alegação de riscos à manutenção e à geração de empregos –, em 22 de novembro, o ministro suspendeu os efeitos da medida até março deste ano. A ideia seria realizar uma construção conjunta entre governo, centrais de trabalhadores e confederações empresariais.
No foco do debate está a autorização para os supermercados. O advogado e economista, Manoel Gustavo Neubarth Trindade observa que a portaria vinculava o funcionamento do comércio à realização de convenções de classe. Na prática, isso reforça a atuação dos sindicatos, que tem sido reduzida desde a Reforma Trabalhista de 2017 (instituída pela lei 13.467, com a alteração de mais de 100 itens da CLT brasileira).
Os argumentos
De um lado, o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, é favorável à abertura sem a necessidade de convenções coletivas. Segundo o dirigente da entidade ligada à Confederação Nacional do Comércio (CNC), a discussão gira em torno da liberdade de escolha dos proprietários.
— Somos parceiros e filiados à CNC e defendemos a abertura e a liberdade de poder abrir, porque nos parece ser o mais saudável para a economia. Quem não quiser que não abra. O comércio de gêneros alimentícios deve ser contemplado entre os 200 setores autorizados e a nossa expectativa é que isso possa ocorrer sem a necessidade de realização de convenção coletiva.
O advogado e economista, Manoel Gustavo Neubarth Trindade lembra que a Lei 10.101 de 2000, alterada diversas vezes ao longo do tempo, de alguma forma regra o trabalho aos domingos. No entanto, abre brechas quanto aos feriados.
As expectativas
O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre (Sindec-POA), Nilton Souza Neco, afirma que o objetivo é fazer cumprir a lei, desde que para tanto sejam feitas as convenções para regrar o trabalho tanto aos domingos quanto nos feriados. Segundo ele a intenção é chegar a um acordo suficiente para satisfazer os anseios dos empresários.
— Queremos que o entendimento beneficie a todos, e não só um lado. Nosso compromisso é de que os trabalhadores farão as convenções com o intuito de permitir a abertura dos mercados. É bom lembrar que isso vale para a utilização da mão de obra, ou seja, se for apenas o proprietário do local, sem um funcionário, ele poderá trabalhar sem problema algum.
Fonte: GZH
Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS
Outras notícias
-
De freezers a hospitais: ataques hackers na Europa expõem riscos no Brasil
Um segundo ataque hacker atingiu freezers em vários países da Europa no início desta semana. Em alguns casos, as temperaturas foram elevadas até 50ºC, causando perdas de alimentos em supermercados e lojas. O caso tamb ...
Saiba Mais -
Entenda a divergência entre governo Leite e da equipe de Zucco sobre o orçamento de 2027
A situação fiscal do Estado e o orçamento para 2027 expuseram as primeiras divergências entre as equipes do governo Eduardo Leite e do governador eleito Luciano Zucco. Prestes a ser confirmado como futuro secretário da ...
Saiba Mais
